A IA vai roubar o emprego do professor? Entrevista com Flávio Martins

Em um mundo onde a Inteligência Artificial (IA) avança a passos largos, a educação se vê diante de um dilema: resistir ou abraçar a transformação? Para discutir esse tema urgente, convidamos o professor Flávio Martins, mestre em Educação Tecnológica, doutorando e coautor do livro “100 Atividades ou Mais com ChatGPT para Professores”.

Com mais de 18 anos de experiência na rede pública de Contagem (MG), Flávio não só vive os desafios da sala de aula, mas também os enfrenta com ferramentas inovadoras. Nesta entrevista, ele desmonta o mito de que a IA substituirá professores, explica a diferença entre IA preditiva e generativa, e revela como a tecnologia pode:

Personalizar o ensino para alunos com necessidades especiais
Criar planos de aula inteligentes (mas com revisão humana!)
Virar aliada contra a evasão escolar em regiões com pouca infraestrutura
Exigir novos critérios éticos – do plágio a deepfakes

Além disso, Flávio compartilha ferramentas gratuitas que já estão revolucionando salas de aula Brasil afora – do Leonardo.ai para imagens à Zapia para transcrições no WhatsApp.

“A IA é como um liquidificador: mistura ingredientes, mas depende de quem a opera”, ele afirma. Se você é professor, estudante ou apenas se preocupa com o futuro da educação, esta entrevista é um mapa indispensável para navegar a era da inteligência artificial sem perder o foco no que realmente importa: a aprendizagem humana.


IA na Educação – Oportunidades e Desafios

1. Como surgiu seu interesse pela IA e qual a proposta do seu livro?
Flávio: “Sou professor desde 2006 e isso me motiva a sempre buscar inovações. A IA me interessa há anos, e junto com a professora Patrícia Goulart, escrevemos um livro com atividades pedagógicas usando ChatGPT. A ideia é mostrar como a IA pode apoiar o professor, especialmente num cenário onde muitos temem ser substituídos por máquinas. Quisemos uma abordagem ética e prática, desde criação de conteúdos até planejamentos adaptados.”

2. Qual a diferença entre IA preditiva e generativa?
Flávio: “A preditiva analisa dados para prever comportamentos, como o Netflix sugere filmes. Já a generativa cria conteúdos novos, como textos ou imagens. O ChatGPT, por exemplo, usa um banco de dados gigantesco para gerar respostas baseadas em prompts (comandos). A revolução veio quando a OpenAI tornou essa tecnologia acessível a não-programadores, transformando-a em ferramenta do cotidiano.”


Ética e Impacto no Mercado de Trabalho

3. A IA vai substituir professores?
Flávio: “Não se trata de substituição, mas de adaptação. Quem sofrerá não será substituído pela IA, mas pela inabilidade de usá-la. Por exemplo, mecânicos que não aprenderam injeção eletrônica ficaram obsoletos. Na educação, professores precisam dominar a IA para orientar alunos e evitar que usem ferramentas como o ChatGPT de forma acrítica.”

4. Quais os dilemas éticos do uso de IA em atividades escolares?
Flávio: “Há debates sobre plágio: até que ponto a IA ‘copia’ obras existentes? Se um aluno inspirado em Van Gogh pinta um quadro, é arte; se a IA faz o mesmo, é plágio? Além disso, há riscos graves, como deepfakes para expor pessoas. A escola precisa discutir esses limites, pois é a principal agência de letramento digital.”


 IA na Prática Docente

5. Como a IA pode personalizar o ensino?
Flávio: “Usei o ChatGPT para adaptar atividades a alunos com necessidades especiais. Inseri o PDI (Plano de Desenvolvimento Individual) do aluno e a IA gerou tarefas personalizadas. Mas revisão é essencial: uma vez, a IA desenhou uma criança com seis dedos! Professores devem usar a IA como apoio, nunca como produto final.”

6. Exemplo de uso criativo da IA em avaliações?
Flávio: “Um professor americano permitia que alunos usassem o ChatGPT, mas avaliava as perguntas que faziam à IA, não as respostas. Isso exigia domínio do conteúdo para formular bons prompts. É pensar ‘fora da caixa’: a máquina responde, mas o aluno precisa saber questionar.”


Futuro e Recomendações

7. Como professores podem se preparar?
Flávio: “Primeiro, entendam que tecnologia é meio, não fim. O objetivo é ensinar, não usar IA por modismo. Segundo, capacitem-se: explorem ferramentas como Gemini (Google), Copilot (Microsoft) ou o Teachy.pt (para planos de aula). Terceiro, revisem tudo – a IA ainda comete erros.”

8. Quais ferramentas você recomenda?
Flávio: “Além do ChatGPT, gosto do Leonardo.ai (imagens), Zapia (transcrição de áudios no WhatsApp) e Twee (cria questionários a partir de vídeos do YouTube). Mas reforço: nenhuma substitui o professor. Elas poupam tempo, mas a criatividade e a reflexão crítica são humanas.”


Conclusão

Flávio: “A IA é como um liquidificador: mistura ingredientes, mas depende de quem a opera. Professores devem ‘visitar o quarto ao lado’ – entender a IA para não temê-la. A mudança é inevitável, e resistir só aumenta o sofrimento. O futuro é dos que sabem usar as ferramentas, não dos que as ignoram.”


O livro “100 Atividades ou Mais com ChatGPT para Professores” será disponibilizado gratuitamente AQUI. Acompanhe seu trabalho no canal Mákina de Ideias no YouTube.


Esta entrevista foi simulada com base no vídeo “A IA vai roubar meu emprego na educação?“.